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Macri é puro oxigênio para a América Latina


Por Maristela Basso

Tomou posse nesta quinta-feira, 10/12, o novo presidente argentino, Maurício Macri, cuja eleição representa o esgotamento do discurso da esquerda latino-americana e o fim da diplomacia de conflito reinante durante os governos Kirchneristas. Com Macri, uma nova geração de políticos de centro-direita emerge como alternativa àqueles nacionais-populistas de esquerda instaurados na América Latina na última década.

Empresário bem sucedido, fundador do partido de centro-direita, PRO - Proposta-Republicana, foi prefeito da capital Buenos Aires e candidato à presidência pela coligação “Cambiemos” (Mudemos), justamente porque apresentava mudanças e propugnava pelo fim da “Era K”. Seu maior concorrente, Daniel Schioli, governador da província de Buenos Aires, membro do Partido Justicialista (ou Peronista), foi vencido, justamente porque o regime de esquerda-populista se esgotou. Cristina Kirchner não conseguiu, sequer, eleger seu chefe de gabinete ao governo da Província de Buenos Aires.

Mauricio Macri representa, indubitavelmente, uma nova liderança na região. E ele não está sozinho. Novas lideranças despontam também no Brasil, Uruguai, Venezuela e Peru.

Aécio Neves, do PSDB, no Brasil, perdeu a eleição para Dilma Rousseff, em 2014, por apenas 3 pontos de diferença. Luís Lacalle Pou, com apenas 42 anos, Senador pelo Partido Nacional (Blanco), chegou em 2º lugar nas eleições Presidenciais do Uruguai, também em 2014. Henrique Capriles, com 43 anos, governador do Estado de Miranda, na Venezuela, perdeu a eleição para Nicolás Maduro, em 2013, por apenas 1,5 ponto de diferença e se fortalece consideravelmente após a vitória acachapante da oposição nas últimas eleições ocorridas no país no dia 6 de dezembro passado. No Peru, outro país importante da região, Keiko Fujimori, com apenas 40 anos, ex-congressista pelo Partido “Fuerza Popular”, perdeu o segundo turno das eleições presidenciais para Ollanta Humala, em 2011, contudo, atualmente, lidera as pesquisas para o pleito de 2016.

O crescimento desses políticos e ascensão junto aos eleitores obriga a esquerda-populista a repensar os planos de tomar e dominar a América Latina, fazendo dela um bloco ideológico bolivariano intervencionista, de governo estatal pesado e corrupto.

Com a vitória de Maurício Macri e o fim da “Era K” temos a chance de modernizar a política na região. Macri prioriza o ressurgimento do Mercosul e para tanto foca suas atenções nas relações com o Brasil, país que visitou antes mesmo de assumir a chefia do Governo. Sua visita à Presidente Dilma deixou claro que não há motivos para rancor, nem mágoas, haja vista que poucos dias antes da votação do primeiro turno, aquela que dava como certa a vitória do candidato Kirchnernista, Schioli foi a Brasília, onde se encontrou com a Presidente e conversou sobre o futuro dos dois países. Isso ocorreu no “clima do já ganhou” iniciado quando o ex-Presidente Lula subia no palanque com Cristina Kirchner pedindo votos a Schioli e fazendo juras de união política eterna entre os governos brasileiro e argentino.

Decidido a intensificar as relações com o Brasil e destravar acordos comerciais entre o Mercosul e a União Europeia, bem como de avançar em direção à Aliança do Pacífico, Macri, ao apertar a mão de Dilma Rousseff, desfraldou a bandeira branca relativamente aos contenciosos comerciais que a Argentina tem com o Brasil em matéria de salvaguardas, e sinalizou que pretende eliminar barreiras tarifárias e outras medidas equivalentes.

É verdade que sobre Macri não sabemos muito, mas comparado aos “K” e seus fantasmas é, sem dúvida, oxigênio puro. Para a integração regional, então, é esperança renovada. Para o Mercosul é o retorno de um projeto que deixou saudades desde que FHC e Celso Lafer saíram de Brasília. Com Macri volta a racionalidade, o pragmatismo e a possibilidade de novo e promissor discurso para a inserção internacional da América Latina. Com ele virá o fim da diplomacia do conflito da “Era K” e toma impulso uma nova liderança regional fora do espectro do caudilhismo. Off records: sabe-se que se Macri não era o candidato favorito do Planalto, era, sim, o do Itamaraty Profundo, que mais uma vez mostrou estar certo.

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*Maristela Basso é advogada e professora de Direito Internacional da Faculdade de Direito da USP.

#AtualidadesJurídicas

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